15/01/2015

Piloto automático

Sabe?!
Fazia tempo que eu não sentia vontade de escrever. Porque eu ultimamente tenho ficado muito ocupada fazendo nada, sentindo tudo, suspirando pelos cantos e respirando com dificuldade.
Não é segredo pra ninguém que o que eu faço o tempo todo é uma sequência de atos ensaiados. Eu tô numa rotina ingrata, faço só o que o piloto automático tá programado pra fazer.
Ando meio zumbi.
Isso tudo deve ser culpa da tal gastrite nervosa, que eu costumo confundir com aquelas famosas borboletas no estômago... Decerto era só um aglomerado de confusão, que fez o estômago embrulhar, os pés cambalearem, a cabeça explodir e o coração parar.
Não teve jeito. Caí.
Não deu pra fugir de ser fraca dessa vez, e eu não tô mais falando só da gastrite. É que a gente acaba lutando tão covardemente com a vertigem, que acaba hipnotizada por ela. Daí a gente cai mesmo, se arrebenta toda, chora, faz da dor um fim trágico já esperado.
Mas então a gente continua zumbi, só por mais um tempo, sabendo que o piloto automático um dia vai desligar.
"Vai passar, deixa como está", eu repito a mim mesma. E quando percebo, já é outro ano, a rotina mudou um milímetro de lugar, e parece que é assim mesmo que acontecem as coisas. Flui. Muda. Deixa de ser doído o tempo tempo, zumbi o tempo todo. Deixa.
E de tanto deixar pra lá, fica pra trás mesmo. Um dia, puff, passou, e o que é isso senão um texto qualquer, que fala sobre algo qualquer, num dia qualquer, de uma rotina qualquer?!
Puff, passou.

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Ensaios... © Cyan Driad adaptado e modificado por 187 tons de frio.